http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/issue/feedCadernos Miroslav Milovic2026-07-13T17:27:28+00:00Rose Milovicinstitutomiro@gmail.comOpen Journal Systemshttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/196E AS PARATOPIAS?2026-07-04T03:38:57+00:00Daniel Figueiredodaniel.figueiredo@academico.ufpb.br<p>Muito tem se discutido sobre as utopias, talvez porque sua dobra antagônica, a distopia, acaba fazendo muito mais sucesso nas livrarias, no cinema, na cultura contemporânea de maneira geral. Enquanto a utopia versa sobre o futuro desejável, a distopia nos apresenta um futuro a ser temido. Nessa disputa, ainda temos as heterotopias, espaços reais, concretos e localizáveis que funcionam sob regras diferentes das normas vigentes, ao menos é assim que geralmente à definimos. Enquanto utopias são idealizadas e desejadas, as heterotopias são reais e localizáveis geográficamentes. Elas são "utopias que têm um lugar preciso e real". As heterotopias são existências espaciais, sociológicas e ontológicas que nos ajudam a compreender as relações de poder.</p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Daniel Figueiredohttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/155FIM DA UTOPIA E CINISMO CONTEMPORÂNEO2026-03-31T16:51:08+00:00Matheus Pereiramatheus.pereira.acad@gmail.com<p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo investiga o bloqueio contemporâneo da imaginação política a partir do diagnóstico do realismo capitalista formulado por Mark Fisher, em diálogo com a concepção de utopia e negatividade em Herbert Marcuse. O problema central consiste em compreender como o capitalismo tardio não apenas organiza a economia, mas produz um regime afetivo e temporal marcado pelo cinismo, pela naturalização do presente e pela experiência do “presente perpétuo”, no qual alternativas históricas se tornam impensáveis. O objetivo do trabalho é analisar de que modo a utopia, longe de representar um ideal abstrato ou ingênuo, pode ser recuperada como força crítica capaz de tensionar o fechamento do horizonte histórico imposto pelo realismo capitalista. Metodologicamente, o trabalho desenvolve uma análise teórico-conceitual fundamentada na leitura crítica de </span><em><span style="font-weight: 400;">Realismo Capitalista</span></em><span style="font-weight: 400;"> (2009), de Mark Fisher, da conferência </span><em><span style="font-weight: 400;">The End of Utopia</span></em><span style="font-weight: 400;"> (1967) e de obras centrais de Herbert Marcuse, especialmente </span><em><span style="font-weight: 400;">O homem unidimensional </span></em><span style="font-weight: 400;">(1964) e </span><em><span style="font-weight: 400;">Eros e Civilização (1955)</span></em><span style="font-weight: 400;">, mobilizando ainda contribuições da teoria crítica e da filosofia social contemporânea. Argumenta-se que o cinismo dominante não decorre da ignorância, mas de uma consciência paralisada e integrada à racionalidade técnico-produtiva, que administra necessidades, desejos e formas de sensibilidade. Nesse contexto, a utopia adquire o estatuto de possibilidade concreta não por oferecer modelos reconciliados de futuro, mas por operar como negatividade: a recusa da absolutização do existente e a reabertura da tensão entre o que é e o que poderia ser. Conclui-se que o chamado “fim da utopia”, em Marcuse, não indica esgotamento histórico, mas a exigência de reativar a negatividade crítica como condição para resistir ao cinismo e reabrir o futuro para além dos limites do capitalismo tardio.</span></p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Matheus Pereirahttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/154O PROGRESSO DESFIGURADO: BENJAMIN LEITOR DE KAFKA2026-04-07T17:32:03+00:00Lucas Santoslucas.lsantos@ufpe.br<p><span style="font-weight: 400;">Frente aos primeiros esforços hermenêuticos no século XX em desvelar o núcleo literário da obra de Kafka, predominantemente preenchidos pelas exegeses psicanalítica e teológica, Walter Benjamin adentra nessa discussão com uma estratégia hermenêutica própria, na contramão das interpretações comuns em seu tempo. Consideramos que a vantagem da leitura feita por Benjamin exista em sua contraposição tanto à hermenêutica psicanalítica, quanto teológica, lançando mão de ambas as reduções da literatura kafkiana, penetrando-as em uma via própria: em seu caráter imagético. Em nosso artigo, com o apoio de alguns textos e correspondências do filósofo alemão, ao passo de importantes comentadores de sua obra, nos debruçamos a analisar e expor a chave interpretativa benjaminiana da obra kafkiana, demonstrando como, em sua estratégia hermenêutica, Benjamin empreende uma leitura transformativa de Kafka, onde o escritor e o crítico literário encontram, em suas particularidades, um ponto de convergência: o problema da experiência na sociedade moderna.</span></p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Lucas Santoshttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/183SENSIBILIDADES ADMINISTRADAS: SOBRE A DESILUSÃO NAS RUÍNAS DE UM MUNDO2026-05-04T20:50:56+00:00Emerson Batista Silva Oliveiraarquivoebso@gmail.com<p>O estatuto da sensibilidade na filosofia de Adorno é irredutível às ricas contribuições da psicanálise para a teoria crítica. Justamente por retirar de fenômenos sociais suas principais motivações filosóficas, essa é uma tradição cujo estudo perpassa, necessariamente, o reconhecimento da dor do existente e da dominação enquanto conceito amplo, sob o qual se abrigam diferentes formas de sujeição e de sofrimento. Embora Adorno não possua uma filosofia moral propriamente dita, é possível tecer aspectos de uma dialética da moralidade em suas obras, em que se destaca seu “fundamento somático”. Neste ponto, Adorno e Horkheimer elencam o declínio da compaixão como momento do impulso moral, a despeito de sua necessidade, visto que se encontra subvertida na ordem capitalista, em que ganha novas roupagens de impotência. Dada a asfixia que o mundo administrado impõem às individualidades, torna-se socialmente necessário que toda faculdade sensível e racional, que possa denunciar suas fraturas, seja esvaziada. Especialmente em contextos de graves crises humanitárias, Freud já denunciava a condenação que vive o povo ao agir de acordo com princípios morais que são inaceitáveis, ou seja, que não correspondem às suas motivações pulsionais. Pergunta-se, então: se em Adorno a moralidade é também pulsional, e em Freud há alterações nos destinos da pulsão em contextos de crise e guerra, o que as relações pouco significativas, apáticas e superficiais de sujeitos com os horrores hodiernos denunciam acerca de uma moral alicerçada em sensibilidades administradas para os fins da reprodução social? Para essa problematização, articulou-se, especialmente, o ensaio “Considerações contemporâneas sobre a guerra e a morte” (Freud, 2025) e a “Dialética do Esclarecimento” (Adorno e Horkheimer, 1985). Trata-se de uma apologia à crítica e à emancipação das faculdades sensíveis, possíveis alicerces de identificações mais comprometidas com os objetos, que libertem o não-idêntico daquilo que os faz sofrer.</p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Emerson Batista Silva Oliveirahttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/193PROSPECTIVAS DO ESTILHAÇAMENTO DA IDENTIDADE ENTRE SER E EXISTÊNCIA PARA O PENSAMENTO ARENDTIANO2026-06-15T22:58:43+00:00Willian Ribeirowillianribeiro22686@gmail.comRucelino de Sousa Aguiarrucelinodesousa@gmail.com<p>Immanuel Kant desmantelou as bases da tradição filosófica instaurada sobre a identidade entre Ser e pensamento postulada por Parmênides, não antes questionada pelos filósofos ocidentais, e que definiu a busca pelo <em>“que</em>” das coisas ao longo dos séculos. A partir disso, esse estudo objetiva analisar as prospectivas do estilhaçamento da identidade entre Ser e Existência no pensamento político de Hannah Arendt, utilizando-se de pesquisa bibliográfica para apreender suas considerações, especialmente as dispostas na obra “<em>A dignidade da política</em>”, que poderão ser complementadas pelos pensamentos presentes nos escritos de Arendt da maturidade, tais como “<em>A condição humana</em>” e “<em>A vida do espírito</em>”, em que a pensadora desenvolve amplamente suas ideias no que se refere ao espaço de aparência, ação e discurso.</p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Willian Ribeiro, Rucelino de Sousa Aguiarhttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/185INTER-RELAÇÕES ENTRE TEOLOGIA, DIREITOS HUMANOS E RELIGIÃO2026-05-14T16:13:31+00:00Alana Taíse Castro Sartorialanas@san.uri.brNoli Bernardo Hahnnolihahn@san.uri.br<p>Este texto possui como tema as inter-relações entre Teologia, Direitos Humanos e Religião a partir de contribuições de Jacques Derrida. O problema da pesquisa pode ser definido como: que inter-relações podem ser estabelecidas entre Teologia, Direitos Humanos e Religião? O objetivo central é, portanto, interpretar possíveis inter-relações entre Teologia, Direitos Humanos e Religião a partir de uma perspectiva desconstrucionista. A metodologia utilizada no estudo é de abordagem analítico-interpretativa. Ao final do estudo, observa-se que, a nível epistemológico, uma racionalidade descentrada é a que torna possível a interconexão entre Teologia, Direitos Humanos e Religião.</p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Alana Taíse Castro Sartori, Noli Bernardo Hahnhttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/194O ENSINO DE FILOSOFIA NO REGIME MILITAR PÓS-19642026-07-01T20:02:22+00:00Pedro Celestino Silvainstitutomiro@gmail.comEduardo Silveira Netto Nunesinstitutomiro@gmail.com<p>O presente artigo analisa a trajetória da Filosofia como disciplina no ensino médio brasileiro durante a ditadura civil-militar instaurada em 1964, com ênfase na política educacional do período. Inicialmente, apresenta-se uma contextualização histórica do golpe e de suas implicações político-institucionais. Em seguida, examinam-se as diretrizes da política educacional do regime, especialmente as reformas promovidas pela Lei nº 5.692/1971. O estudo discute a exclusão da Filosofia do núcleo comum curricular e analisa as principais interpretações presentes na literatura, que atribuem essa medida a fatores técnico-burocráticos ou ao potencial crítico da disciplina. Também se problematiza a natureza do ensino filosófico efetivamente praticado à época. Por fim, abordam-se as iniciativas voltadas à reinserção da Filosofia no ensino secundário. Trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter histórico-analítico, baseada em análise documental e revisão bibliográfica.</p>2026-07-04T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Pedro Celestino Silva, Eduardo Silveira Netto Nuneshttp://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/197O CANSAÇO COMO SINTOMA EDUCATIVO: A ESCOLA NA SOCIEDADE DO DESEMPENHO2026-07-13T17:27:28+00:00Edinaldo Enoque da Silva Júniorrevista@gmail.comDébora Viana de Souzarevista@gmail.comJenerton Arlan Schützrevista@gmail.comFábio César Jungesrevista@gmail.com<p>O presente artigo investiga o fenômeno do cansaço docente e discente como sintoma da sociedade do desempenho e como expressão de uma crise de sentido no campo educacional contemporâneo. Inspirado nos aportes teóricos de Byung-Chul Han (2015, 2021), Richard Sennett (2000), Zygmunt Bauman (2007, 2008), Paulo Freire (1996) e Nel Noddings (2003), o estudo propõe uma leitura crítica das práticas escolares que, ao incorporarem a lógica da produtividade e da eficiência, esvaziam a experiência formativa e transformam o aprender em mera performance. A pesquisa, de caráter teórico e reflexivo, discute como o paradigma da aceleração, da mensuração e da competitividade interfere nas dimensões afetivas, cognitivas e éticas do processo educativo, gerando exaustão, desengajamento e perda do prazer de aprender. Argumenta-se que a escola, ao adotar os princípios do mercado, converte-se em espaço de controle emocional e de autovigilância, substituindo o diálogo pela burocracia e o tempo da reflexão pela urgência da entrega. Defende-se, como contraponto, uma pedagogia do cuidado e da pausa, que resgate a lentidão, a escuta e o encontro como fundamentos da aprendizagem significativa. O artigo conclui que humanizar a educação exige romper com o produtivismo e restituir o tempo como valor pedagógico, possibilitando que professores e alunos reencontrem, no ato de ensinar e aprender, o sentido existencial e o prazer do conhecimento.</p>2026-07-13T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Edinaldo Enoque da Silva Júnior, Débora Viana de Souza, Jenerton Arlan Schütz, Fábio César Junges