Cadernos Miroslav Milovic http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos pt-BR institutomiro@gmail.com (Rose Milovic) fabiocesarjunges@san.uri.br (Fábio César Junges) Sat, 04 Jul 2026 18:26:17 +0000 OJS 3.3.0.13 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 E AS PARATOPIAS? http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/196 <p>Muito tem se discutido sobre as utopias, talvez porque sua dobra antagônica, a distopia, acaba fazendo muito mais sucesso nas livrarias, no cinema, na cultura contemporânea de maneira geral. Enquanto a utopia versa sobre o futuro desejável, a distopia nos apresenta um futuro a ser temido. Nessa disputa, ainda temos as heterotopias, espaços reais, concretos e localizáveis que funcionam sob regras diferentes das normas vigentes, ao menos é assim que geralmente à definimos. Enquanto utopias são idealizadas e desejadas, as heterotopias são reais e localizáveis geográficamentes. Elas são "utopias que têm um lugar preciso e real". As heterotopias são existências espaciais, sociológicas e ontológicas que nos ajudam a compreender as relações de poder.</p> Daniel Figueiredo Copyright (c) 2026 Daniel Figueiredo https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/196 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 FIM DA UTOPIA E CINISMO CONTEMPORÂNEO http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/155 <p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo investiga o bloqueio contemporâneo da imaginação política a partir do diagnóstico do realismo capitalista formulado por Mark Fisher, em diálogo com a concepção de utopia e negatividade em Herbert Marcuse. O problema central consiste em compreender como o capitalismo tardio não apenas organiza a economia, mas produz um regime afetivo e temporal marcado pelo cinismo, pela naturalização do presente e pela experiência do “presente perpétuo”, no qual alternativas históricas se tornam impensáveis. O objetivo do trabalho é analisar de que modo a utopia, longe de representar um ideal abstrato ou ingênuo, pode ser recuperada como força crítica capaz de tensionar o fechamento do horizonte histórico imposto pelo realismo capitalista. Metodologicamente, o trabalho desenvolve uma análise teórico-conceitual fundamentada na leitura crítica de </span><em><span style="font-weight: 400;">Realismo Capitalista</span></em><span style="font-weight: 400;"> (2009), de Mark Fisher, da conferência </span><em><span style="font-weight: 400;">The End of Utopia</span></em><span style="font-weight: 400;"> (1967) e de obras centrais de Herbert Marcuse, especialmente </span><em><span style="font-weight: 400;">O homem unidimensional </span></em><span style="font-weight: 400;">(1964) e </span><em><span style="font-weight: 400;">Eros e Civilização (1955)</span></em><span style="font-weight: 400;">, mobilizando ainda contribuições da teoria crítica e da filosofia social contemporânea. Argumenta-se que o cinismo dominante não decorre da ignorância, mas de uma consciência paralisada e integrada à racionalidade técnico-produtiva, que administra necessidades, desejos e formas de sensibilidade. Nesse contexto, a utopia adquire o estatuto de possibilidade concreta não por oferecer modelos reconciliados de futuro, mas por operar como negatividade: a recusa da absolutização do existente e a reabertura da tensão entre o que é e o que poderia ser. Conclui-se que o chamado “fim da utopia”, em Marcuse, não indica esgotamento histórico, mas a exigência de reativar a negatividade crítica como condição para resistir ao cinismo e reabrir o futuro para além dos limites do capitalismo tardio.</span></p> Matheus Pereira Copyright (c) 2026 Matheus Pereira https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/155 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 O PROGRESSO DESFIGURADO: BENJAMIN LEITOR DE KAFKA http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/154 <p><span style="font-weight: 400;">Frente aos primeiros esforços hermenêuticos no século XX em desvelar o núcleo literário da obra de Kafka, predominantemente preenchidos pelas exegeses psicanalítica e teológica, Walter Benjamin adentra nessa discussão com uma estratégia hermenêutica própria, na contramão das interpretações comuns em seu tempo. Consideramos que a vantagem da leitura feita por Benjamin exista em sua contraposição tanto à hermenêutica psicanalítica, quanto teológica, lançando mão de ambas as reduções da literatura kafkiana, penetrando-as em uma via própria: em seu caráter imagético. Em nosso artigo, com o apoio de alguns textos e correspondências do filósofo alemão, ao passo de importantes comentadores de sua obra, nos debruçamos a analisar e expor a chave interpretativa benjaminiana da obra kafkiana, demonstrando como, em sua estratégia hermenêutica, Benjamin empreende uma leitura transformativa de Kafka, onde o escritor e o crítico literário encontram, em suas particularidades, um ponto de convergência: o problema da experiência na sociedade moderna.</span></p> Lucas Santos Copyright (c) 2026 Lucas Santos https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/154 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 SENSIBILIDADES ADMINISTRADAS: SOBRE A DESILUSÃO NAS RUÍNAS DE UM MUNDO http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/183 <p>O estatuto da sensibilidade na filosofia de Adorno é irredutível às ricas contribuições da psicanálise para a teoria crítica. Justamente por retirar de fenômenos sociais suas principais motivações filosóficas, essa é uma tradição cujo estudo perpassa, necessariamente, o reconhecimento da dor do existente e da dominação enquanto conceito amplo, sob o qual se abrigam diferentes formas de sujeição e de sofrimento. Embora Adorno não possua uma filosofia moral propriamente dita, é possível tecer aspectos de uma dialética da moralidade em suas obras, em que se destaca seu “fundamento somático”. Neste ponto, Adorno e Horkheimer elencam o declínio da compaixão como momento do impulso moral, a despeito de sua necessidade, visto que se encontra subvertida na ordem capitalista, em que ganha novas roupagens de impotência. Dada a asfixia que o mundo administrado impõem às individualidades, torna-se socialmente necessário que toda faculdade sensível e racional, que possa denunciar suas fraturas, seja esvaziada. Especialmente em contextos de graves crises humanitárias, Freud já denunciava a condenação que vive o povo ao agir de acordo com princípios morais que são inaceitáveis, ou seja, que não correspondem às suas motivações pulsionais. Pergunta-se, então: se em Adorno a moralidade é também pulsional, e em Freud há alterações nos destinos da pulsão em contextos de crise e guerra, o que as relações pouco significativas, apáticas e superficiais de sujeitos com os horrores hodiernos denunciam acerca de uma moral alicerçada em sensibilidades administradas para os fins da reprodução social? Para essa problematização, articulou-se, especialmente, o ensaio “Considerações contemporâneas sobre a guerra e a morte” (Freud, 2025) e a “Dialética do Esclarecimento” (Adorno e Horkheimer, 1985). Trata-se de uma apologia à crítica e à emancipação das faculdades sensíveis, possíveis alicerces de identificações mais comprometidas com os objetos, que libertem o não-idêntico daquilo que os faz sofrer.</p> Emerson Batista Silva Oliveira Copyright (c) 2026 Emerson Batista Silva Oliveira https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/183 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 PROSPECTIVAS DO ESTILHAÇAMENTO DA IDENTIDADE ENTRE SER E EXISTÊNCIA PARA O PENSAMENTO ARENDTIANO http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/193 <p>Immanuel Kant desmantelou as bases da tradição filosófica instaurada sobre a identidade entre Ser e pensamento postulada por Parmênides, não antes questionada pelos filósofos ocidentais, e que definiu a busca pelo <em>“que</em>” das coisas ao longo dos séculos. A partir disso, esse estudo objetiva analisar as prospectivas do estilhaçamento da identidade entre Ser e Existência no pensamento político de Hannah Arendt, utilizando-se de pesquisa bibliográfica para apreender suas considerações, especialmente as dispostas na obra “<em>A dignidade da política</em>”, que poderão ser complementadas pelos pensamentos presentes nos escritos de Arendt da maturidade, tais como “<em>A condição humana</em>” e “<em>A vida do espírito</em>”, em que a pensadora desenvolve amplamente suas ideias no que se refere ao espaço de aparência, ação e discurso.</p> Willian Ribeiro, Rucelino de Sousa Aguiar Copyright (c) 2026 Willian Ribeiro, Rucelino de Sousa Aguiar https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/193 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 INTER-RELAÇÕES ENTRE TEOLOGIA, DIREITOS HUMANOS E RELIGIÃO http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/185 <p>Este texto possui como tema as inter-relações entre Teologia, Direitos Humanos e Religião a partir de contribuições de Jacques Derrida. O problema da pesquisa pode ser definido como: que inter-relações podem ser estabelecidas entre Teologia, Direitos Humanos e Religião? O objetivo central é, portanto, interpretar possíveis inter-relações entre Teologia, Direitos Humanos e Religião a partir de uma perspectiva desconstrucionista. A metodologia utilizada no estudo é de abordagem analítico-interpretativa. Ao final do estudo, observa-se que, a nível epistemológico, uma racionalidade descentrada é a que torna possível a interconexão entre Teologia, Direitos Humanos e Religião.</p> Alana Taíse Castro Sartori, Noli Bernardo Hahn Copyright (c) 2026 Alana Taíse Castro Sartori, Noli Bernardo Hahn https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/185 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 O ENSINO DE FILOSOFIA NO REGIME MILITAR PÓS-1964 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/194 <p>O presente artigo analisa a trajetória da Filosofia como disciplina no ensino médio brasileiro durante a ditadura civil-militar instaurada em 1964, com ênfase na política educacional do período. Inicialmente, apresenta-se uma contextualização histórica do golpe e de suas implicações político-institucionais. Em seguida, examinam-se as diretrizes da política educacional do regime, especialmente as reformas promovidas pela Lei nº 5.692/1971. O estudo discute a exclusão da Filosofia do núcleo comum curricular e analisa as principais interpretações presentes na literatura, que atribuem essa medida a fatores técnico-burocráticos ou ao potencial crítico da disciplina. Também se problematiza a natureza do ensino filosófico efetivamente praticado à época. Por fim, abordam-se as iniciativas voltadas à reinserção da Filosofia no ensino secundário. Trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter histórico-analítico, baseada em análise documental e revisão bibliográfica.</p> Pedro Celestino Silva, Eduardo Silveira Netto Nunes Copyright (c) 2026 Pedro Celestino Silva, Eduardo Silveira Netto Nunes https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/194 Sat, 04 Jul 2026 00:00:00 +0000 O CANSAÇO COMO SINTOMA EDUCATIVO: A ESCOLA NA SOCIEDADE DO DESEMPENHO http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/197 <p>O presente artigo investiga o fenômeno do cansaço docente e discente como sintoma da sociedade do desempenho e como expressão de uma crise de sentido no campo educacional contemporâneo. Inspirado nos aportes teóricos de Byung-Chul Han (2015, 2021), Richard Sennett (2000), Zygmunt Bauman (2007, 2008), Paulo Freire (1996) e Nel Noddings (2003), o estudo propõe uma leitura crítica das práticas escolares que, ao incorporarem a lógica da produtividade e da eficiência, esvaziam a experiência formativa e transformam o aprender em mera performance. A pesquisa, de caráter teórico e reflexivo, discute como o paradigma da aceleração, da mensuração e da competitividade interfere nas dimensões afetivas, cognitivas e éticas do processo educativo, gerando exaustão, desengajamento e perda do prazer de aprender. Argumenta-se que a escola, ao adotar os princípios do mercado, converte-se em espaço de controle emocional e de autovigilância, substituindo o diálogo pela burocracia e o tempo da reflexão pela urgência da entrega. Defende-se, como contraponto, uma pedagogia do cuidado e da pausa, que resgate a lentidão, a escuta e o encontro como fundamentos da aprendizagem significativa. O artigo conclui que humanizar a educação exige romper com o produtivismo e restituir o tempo como valor pedagógico, possibilitando que professores e alunos reencontrem, no ato de ensinar e aprender, o sentido existencial e o prazer do conhecimento.</p> Edinaldo Enoque da Silva Júnior, Débora Viana de Souza, Jenerton Arlan Schütz, Fábio César Junges Copyright (c) 2026 Edinaldo Enoque da Silva Júnior, Débora Viana de Souza, Jenerton Arlan Schütz, Fábio César Junges https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/197 Mon, 13 Jul 2026 00:00:00 +0000 RELAÇÃO ENTRE QUALIDADE DO SONO E DECLÍNIO COGNITIVO EM PESSOAS IDOSAS ATENDIDAS POR UM CENTRO DE CONVIVÊNCIA NO MUNICÍPIO DE CRUZ ALTA - RS http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/199 <p>Este estudo teve como objetivo investigar a associação entre a qualidade do sono e o desempenho cognitivo de pessoas idosas atendidas pelo Centro de Convivência da Pessoa Idosa -CCI/ Universidade Aberta da Terceira Idade (UNATI), no município de Cruz Alta – RS. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa, de caráter transversal e analítico. Participaram 27 pessoas idosas, com idade igual ou superior a 60 anos, que frequentam regularmente as atividades do CCI/UNATI. Para coleta de dados, foram utilizados instrumentos validados: Questionário Sociodemográfico, Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15). Os dados foram obtidos por meio do software <em>Statistical Package for the Social Sciences</em> (SPSS 25.0), com aplicação de estatística descritiva e inferencial. Os resultados apontaram que uma parcela significativa dos participantes (%) apresentou má qualidade do sono e desempenho cognitivo inferior à média esperada, indicando possível associação entre ambas as variáveis. Conclui-se que compreender a relação entre sono e cognição no envelhecimento é essencial para subsidiar práticas de promoção da saúde e prevenção de declínio funcional.</p> Solange Beatriz Billig Garcês, Lauren Quevedo Ruginskis, Roberta Cattaneo, Adriana da Silva Silveira, Camila Kuhn Vieira Copyright (c) 2026 Solange Beatriz Billig Garcês, Lauren Quevedo Ruginskis, Roberta Cattaneo, Adriana da Silva Silveira, Camila Kuhn Vieira https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/199 Sun, 26 Jul 2026 00:00:00 +0000 TERRITÓRIO, SABERES E JUSTIÇA CURRICULAR NA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/200 <p>A Educação Escolar Quilombola (EEQ) constitui um campo de disputas políticas, culturais e epistemológicas no qual se confrontam diferentes concepções de conhecimento, currículo, território e identidade. Este artigo, de natureza teórico-conceitual e abordagem crítico-interpretativa, problematiza as relações entre território, saberes comunitários e justiça curricular, tomando como questão orientadora: como a Educação Escolar Quilombola pode tensionar as hierarquias epistemológicas que estruturam o currículo escolar e constituir-se como possibilidade de justiça curricular? O objetivo é analisar, em perspectiva teórica, as condições pelas quais os conhecimentos produzidos nos territórios quilombolas podem ser reconhecidos como constitutivos do currículo, sem que isso implique a rejeição dos conhecimentos científicos e historicamente sistematizados. O percurso analítico articula estudos do currículo, relações étnico-raciais, pensamento dialógico de Bakhtin, território, memória e pluralidade epistemológica, em diálogo com documentos normativos e pesquisas sobre Educação Escolar Quilombola. Defende-se que a justiça curricular não se reduz à inclusão episódica de conteúdos sobre a história e a cultura quilombola, exigindo deslocamentos na própria estrutura de legitimação do conhecimento escolar. Propõe-se compreender a justiça curricular na EEQ a partir de três dimensões articuladas: reconhecimento, participação e diálogo epistemológico. Argumenta-se, ainda, que esses princípios se materializam em três deslocamentos: do território como cenário ao território como espaço epistêmico; da comunidade como objeto à comunidade como sujeito coletivo de conhecimento; e da inclusão de conteúdos à transformação das relações de legitimação dos saberes. Conclui-se que uma Educação Escolar Quilombola comprometida com a justiça curricular demanda relações menos hierarquizadas entre conhecimentos escolares e territoriais, participação comunitária efetiva e reconhecimento das comunidades quilombolas como produtoras de conhecimentos, memórias e formas de interpretação do mundo.</p> Adriana de Medeiros Marcolano, Cleonara Maria Schwartz Copyright (c) 2026 Adriana de Medeiros Marcolano, Cleonara Maria Schwartz https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/200 Tue, 11 Aug 2026 00:00:00 +0000 QUANDO OS ADULTOS SOMEM: A ADULTIZAÇÃO DA INFÂNCIA E AS NOVAS FORMAS DE ORFANDADE http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/201 <p>O artigo analisa o fenômeno da adultização da infância e a ausência de adultos como referências simbólicas, problematizando os impactos dessas transformações na formação afetiva, cognitiva e ética das novas gerações. Em um contexto marcado pela aceleração do tempo, pela cultura do desempenho e pela influência das mídias digitais, observa-se a antecipação de papéis e responsabilidades que afastam a criança do tempo próprio da infância. A pesquisa, de caráter bibliográfico e abordagem qualitativa, fundamenta-se em autores como Oliveira et al (2020), Ferreira (2021), Castilhos e Leandro (2018) e Lajonquière (2019), que discutem a crise das presenças adultas e a perda da ludicidade como eixos centrais da experiência formativa. O estudo aponta que a infância contemporânea vem sendo convertida em um espaço de cobranças e comparações, no qual a imaginação e o brincar cedem lugar à produtividade e ao consumo. Essa lógica adultocêntrica compromete o desenvolvimento emocional e simbólico das crianças, tornando-as vulneráveis à solidão, à ansiedade e à ausência de vínculos estáveis. A nova orfandade simbólica manifesta-se na fragilidade das relações intergeracionais e na dissolução da autoridade como presença orientadora. Diante desse quadro, o artigo propõe uma reflexão sobre a reconstrução das presenças adultas, compreendidas como gestos éticos de escuta, cuidado e responsabilidade compartilhada. Conclui-se que resgatar a infância implica reencantar o papel do adulto como mediador de sentidos e valores, capaz de sustentar o diálogo entre gerações e promover experiências educativas humanizadoras.</p> Débora Viana de Souza, Edinaldo Enoque da Silva Júnior, Jenerton Arlan Schütz, Fábio César Junges Copyright (c) 2026 Débora Viana de Souza, Edinaldo Enoque da Silva Júnior, Jenerton Arlan Schütz, Fábio César Junges https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 http://miroslavmilovic.com.br/index.php/cadernos/article/view/201 Fri, 14 Aug 2026 00:00:00 +0000