DELEUZE CRÍTICO: KANT COMO ESTRATÉGIA FILOSÓFICA
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i1.158Palavras-chave:
Crítica, Método, Transcendental, Empirismo TranscendentalResumo
O presente artigo investiga a relação entre Gilles Deleuze e Immanuel Kant a partir da seguinte hipótese: Kant ocupa um lugar estratégico na filosofia deleuziana, e compreender essa estratégia é condição para entender o que Deleuze pensa por filosofia. Estratégico significa, aqui, duas coisas: Kant funciona como condição negativa, cujo rigor torna visível onde a crítica se limitou, e como fornecedor de conceitos que Deleuze vai torcer: o transcendental, a síntese, as faculdades produzindo o que nomeia empirismo transcendental. O ponto de partida é a formulação da crítica que Deleuze reconhece em Kant: o primeiro filósofo a conceber a crítica como tarefa total e positiva. Esse reconhecimento é inseparável de uma denúncia: a crítica kantiana permanece incompleta porque não interroga os valores em nome dos quais seu tribunal foi instituído. É a partir de Nietzsche que Deleuze nomeia esse limite, opondo ao método abstrato kantiano um método genealógico capaz de perguntar quais forças e quais interesses sustentam os pressupostos do próprio pensamento. O artigo argumenta ainda que essa leitura provoca um duplo estranhamento entre leitores kantianos e leitores de Deleuze, tratado não como problema, mas como confirmação de que o uso estratégico funcionou.
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