SEMIÓTICA INTENSIVA EM GILLES DELEUZE
DIFERENÇA, SIGNO E SENTIDO COMO PRODUÇÃO ONTOLÓGICA
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i1.163Resumo
O artigo propõe a formulação de uma semiótica intensiva a partir do pensamento de Gilles Deleuze, deslocando o signo do paradigma representacional para o campo da gênese. Defende-se que o signo não constitui uma unidade de significação, mas um operador diferencial que atualiza um campo virtual de intensidades sem jamais esgotá-lo. A investigação, de natureza conceitual e fundada em pesquisa bibliográfica, articula três eixos principais: o modo como o signo escapa às normatizações da objetividade e às associações subjetivas; a concepção do signo como atualização de disparidades intensivas no plano transcendental da experiência; e a emergência do sentido como acontecimento incorporal, efeito de superfície distinto da designação, da manifestação e da significação. Depois de acompanhar a descrição dos signos em Proust e os Signos, que culminará na ênfase nos signos da arte, através de sua potência em criar mundos em profusão, o texto vai buscar descrever a passagem do sinal ao signo e do signo ao sentido, seguindo seu trajeto em Diferença e repetição e em Lógica do sentido, respectivamente. Nesse contexto, o signo deixa de operar como mediação para inscrever-se em um regime expressivo, no qual diferença e repetição se articulam como princípios genéticos. O objetivo é demonstrar de que modo o signo, em Deleuze, rompe com o paradigma representacional e assume a potência de criador de mundos, implicando uma reformulação do estatuto da linguagem e de sua relação com a produção ontológica do sentido.
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