UM BATOM OCUPA O CÉU: A SIGNIFICAÇÃO ONTOLÓGICA DA MAQUIAGEM E O ROSTO COMO TEMA A PARTIR DO ENSAIO DEFINIÇÃO DA MULHER, DE GILLES DELEUZE
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i1.167Palavras-chave:
Deleuze, Rosto, Rostidade, Maquiagem, OntologiaResumo
Neste artigo, proponho uma leitura comparativa entre o ensaio de juventude Descrição da mulher (1945), de Gilles Deleuze, e o conceito de rostidade desenvolvido em Mil platôs (1980), com o objetivo de demonstrar que, já em seu primeiro texto, Deleuze esboça uma abordagem do rosto como operador ontológico, e não como mero dado anatômico. Parto de uma análise da maquiagem e de seus elementos, o que inclui o que ela pretende esconder (pintas e sardas, por exemplo), em companhia de Deleuze, para evidenciar duas formas distintas de o rosto organizar a diferença: uma, numênica e inacessível, que mantém a interioridade como inviolável; outra, intensiva e sobrecodificadora, que antecipa a máquina abstrata de rostidade. Ao aproximar os dois momentos da obra deleuziana, sustento que o diálogo entre eles revela um mesmo problema de fundo: o rosto como superfície-limiar entre o visível e o intocável, entre o fenômeno e o númeno, cuja operação consiste em produzir subjetivação por redundância e buracos, e não por semelhança.
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