DELEUZE E O SENTIDO COMO EFEITO DE SUPERFÍCIE: PARADOXO E NÃO-SENSO
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i1.170Palavras-chave:
Gilles Deleuze; sentido; simulacro; literatura; não-senso.Resumo
Este artigo analisa a reversão do platonismo em Gilles Deleuze, tomando como eixo a crítica à representação e suas implicações para a compreensão do sentido como efeito de superfície. Parte-se da leitura deleuziana do platonismo como regime de seleção fundado na distinção entre modelo, cópia e simulacro, em que a diferença é subordinada à identidade, à semelhança e à medida. A partir das obras Diferença e repetição e Lógica do sentido, busca-se mostrar que a afirmação do simulacro não corresponde à simples inversão de uma hierarquia, mas à desativação do critério que submete o múltiplo ao Mesmo. Nesse percurso, o sentido deixa de ser concebido como essência, fundamento ou correspondência estável entre linguagem e mundo, passando a ser compreendido como acontecimento e efeito produzido na superfície. O artigo destaca ainda o papel do paradoxo e do não-senso como operadores constitutivos da produção do sentido e não como falhas da razão ou da linguagem. Por fim, examina-se a literatura, especialmente a partir de Lewis Carroll, como campo privilegiado em que a linguagem tensiona a representação, desestabiliza identidades fixas e faz proliferar acontecimentos de sentido.
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