POLÍTICA NA COMUNIDADE DA DIFERENÇA: MICROPOLÍTICA E SEGMENTARIDADE EM MIROSLAV, DELEUZE E GUATTARI

Autores

  • Antonio Sergio Cangiano Universidade de Brasília, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i1.188

Palavras-chave:

Tanatoceno, Filosofia politica, Molecular-Molar, Micropolitica, Macropolitica, Comunidade da diferença

Resumo

A política na comunidade da diferença é o tema deste artigo. O processo político atual, ou seja, nos Estados e nas democracias, é complexo em todos os sentidos e direções, com perigos de totalitarismo e fascismo permeando o plano de existência. Somos diferentes e precisamos compreender a política nas diferenças. Em suas obras, Miroslav Milovic tem como questão a filosofia na modernidade e a filosofia política de como chegamos até aqui onde estamos. A sua obra Comunidade da diferença (Milovic, 2004) desenvolve uma crítica à filosofia tradicional nos pensamentos de filósofos modernos desde Descartes. A motivação de Miroslav nos contagia a continuar pesquisando. Para irmos além, incluímos neste estudo a metafísica da continuidade na filosofia política de Deleuze e Guattari. Eles presenciaram o movimento global de 1968 iniciado na França e escrevem a obra O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1 (Deleuze; Guattari, 2011a) e depois a obra Mil Platôs (Deleuze; Guattari, 2011b, 2011c, 2012a, 2012b, 2012c), que proporcionam conceitos claros relacionados à política e psicanálise, questionando a intersubjetividade contra a produção social de desejos. Inovam com conceitos inéditos como segmentaridade, micropolítica, molar, molecular, linhas desejantes, máquinas abstratas, produção desejante, plano de consistência, massa, classes, minorias, linhas binárias duras, linhas flexíveis e de fuga, linhas suicidárias e círculos segmentários, dentre outros conceitos. O movimento social possui momentos de velocidades e lentidões, sempre em velocidades diferenciadas tendo como motor a política. Está sempre presente nos acontecimentos do mundo provocando, induzindo, modelando, formando, destruindo e reconfigurando consistências e territórios. Está em jogo a possibilidade de mudanças ou a manutenção de inércias dominantes. Sentimos, nas mais variadas vezes, uma impotência em agir para definir ou mesmo escolher rumos nos sentidos que desejamos neste mundo mutante. A força de um corpo é menor do que a força de um coletivo de corpos, os desejos coletivos contêm uma potência política. Raramente visualizamos cenários de ressonâncias criativas para um “novo possível”; precisamos, no contexto atual do mundo, de algo novo na política, na economia e no direito. Ou seja, precisamos de mudanças cognitivas expressivas na cultura e na criação de novos padrões de vida necessários para habitar o planeta. A política deve estar atualizada enquanto instrumento social primordial para as mudanças necessárias e na velocidade adequada. A nova era terrestre, ao nosso entender, já está caracterizada como Tanatoceno, que ultrapassa o limite do Antropoceno e estabelece um limiar de morte das espécies e da humanidade. A Política atual deve estar exposta à filosofia da diferença, dado que sem ela o jogo raso de interesses da ganância devirá em aprofundar as consequências do Tanatoceno, com os perigos já identificados. Este artigo não pretende esgotar a metafísica da continuidade e, tampouco, a filosofia política dos autores ou abranger na quase totalidade o rizoma em que se insere a política na comunidade da diferença. Todavia, pretende pontuar alguns conceitos em uma nova “semiótica perceptiva” que nos permita refletir e agir para a construção de novos mundos possíveis.

Publicado

2026-07-03