DAS DOBRAS DA SUPERFÍCIE AO TEMPO VAZIO: NOTAS SOBRE DELEUZE E A PSICANÁLISE
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i1.190Palavras-chave:
Deleuze, Psicanálise, tempo, acontecimentoResumo
O artigo analisa os desdobramentos da psicanálise na filosofia de Gilles Deleuze a partir de duas de suas obras fundamentais, “Diferença e Repetição” e “Lógica do Sentido”. Parte-se da hipótese de que, antes da crítica sistemática desenvolvida em “O Anti-Édipo”, a psicanálise já desempenhava um papel decisivo na construção da filosofia deleuziana, especialmente no processo de destituição do fundamento e na elaboração de uma lógica da diferença. Em “Lógica do Sentido”, examina-se a articulação entre profundidade, superfície e acontecimento, destacando os diálogos de Deleuze com Melanie Klein, Jacques Lacan e Sigmund Freud na compreensão das pulsões, da simbolização e do complexo de Édipo. Em “Diferença e Repetição”, a análise concentra-se na teoria das três sínteses do inconsciente, formulada a partir das contribuições de Freud, Hume, Lacan, Proust e Nietzsche, evidenciando a relação entre repetição, tempo, desejo e produção da diferença. Conclui-se que a psicanálise constitui um dos eixos fundamentais da elaboração filosófica de Deleuze nesse período, não como adesão ao modelo psicanalítico, mas como campo de interlocução crítica para a formulação de sua ontologia da diferença.
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