O CANSAÇO COMO SINTOMA EDUCATIVO: A ESCOLA NA SOCIEDADE DO DESEMPENHO
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i2.197Resumo
O presente artigo investiga o fenômeno do cansaço docente e discente como sintoma da sociedade do desempenho e como expressão de uma crise de sentido no campo educacional contemporâneo. Inspirado nos aportes teóricos de Byung-Chul Han (2015, 2021), Richard Sennett (2000), Zygmunt Bauman (2007, 2008), Paulo Freire (1996) e Nel Noddings (2003), o estudo propõe uma leitura crítica das práticas escolares que, ao incorporarem a lógica da produtividade e da eficiência, esvaziam a experiência formativa e transformam o aprender em mera performance. A pesquisa, de caráter teórico e reflexivo, discute como o paradigma da aceleração, da mensuração e da competitividade interfere nas dimensões afetivas, cognitivas e éticas do processo educativo, gerando exaustão, desengajamento e perda do prazer de aprender. Argumenta-se que a escola, ao adotar os princípios do mercado, converte-se em espaço de controle emocional e de autovigilância, substituindo o diálogo pela burocracia e o tempo da reflexão pela urgência da entrega. Defende-se, como contraponto, uma pedagogia do cuidado e da pausa, que resgate a lentidão, a escuta e o encontro como fundamentos da aprendizagem significativa. O artigo conclui que humanizar a educação exige romper com o produtivismo e restituir o tempo como valor pedagógico, possibilitando que professores e alunos reencontrem, no ato de ensinar e aprender, o sentido existencial e o prazer do conhecimento.
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