TERRITÓRIO, SABERES E JUSTIÇA CURRICULAR NA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA

Autores

  • Adriana de Medeiros Marcolano Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil
  • Cleonara Maria Schwartz Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i2.200

Resumo

A Educação Escolar Quilombola (EEQ) constitui um campo de disputas políticas, culturais e epistemológicas no qual se confrontam diferentes concepções de conhecimento, currículo, território e identidade. Este artigo, de natureza teórico-conceitual e abordagem crítico-interpretativa, problematiza as relações entre território, saberes comunitários e justiça curricular, tomando como questão orientadora: como a Educação Escolar Quilombola pode tensionar as hierarquias epistemológicas que estruturam o currículo escolar e constituir-se como possibilidade de justiça curricular? O objetivo é analisar, em perspectiva teórica, as condições pelas quais os conhecimentos produzidos nos territórios quilombolas podem ser reconhecidos como constitutivos do currículo, sem que isso implique a rejeição dos conhecimentos científicos e historicamente sistematizados. O percurso analítico articula estudos do currículo, relações étnico-raciais, pensamento dialógico de Bakhtin, território, memória e pluralidade epistemológica, em diálogo com documentos normativos e pesquisas sobre Educação Escolar Quilombola. Defende-se que a justiça curricular não se reduz à inclusão episódica de conteúdos sobre a história e a cultura quilombola, exigindo deslocamentos na própria estrutura de legitimação do conhecimento escolar. Propõe-se compreender a justiça curricular na EEQ a partir de três dimensões articuladas: reconhecimento, participação e diálogo epistemológico. Argumenta-se, ainda, que esses princípios se materializam em três deslocamentos: do território como cenário ao território como espaço epistêmico; da comunidade como objeto à comunidade como sujeito coletivo de conhecimento; e da inclusão de conteúdos à transformação das relações de legitimação dos saberes. Conclui-se que uma Educação Escolar Quilombola comprometida com a justiça curricular demanda relações menos hierarquizadas entre conhecimentos escolares e territoriais, participação comunitária efetiva e reconhecimento das comunidades quilombolas como produtoras de conhecimentos, memórias e formas de interpretação do mundo.

Publicado

2026-08-11

Edição

Seção

ARTIGOS