QUANDO OS ADULTOS SOMEM: A ADULTIZAÇÃO DA INFÂNCIA E AS NOVAS FORMAS DE ORFANDADE
DOI:
https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i2.201Resumo
O artigo analisa o fenômeno da adultização da infância e a ausência de adultos como referências simbólicas, problematizando os impactos dessas transformações na formação afetiva, cognitiva e ética das novas gerações. Em um contexto marcado pela aceleração do tempo, pela cultura do desempenho e pela influência das mídias digitais, observa-se a antecipação de papéis e responsabilidades que afastam a criança do tempo próprio da infância. A pesquisa, de caráter bibliográfico e abordagem qualitativa, fundamenta-se em autores como Oliveira et al (2020), Ferreira (2021), Castilhos e Leandro (2018) e Lajonquière (2019), que discutem a crise das presenças adultas e a perda da ludicidade como eixos centrais da experiência formativa. O estudo aponta que a infância contemporânea vem sendo convertida em um espaço de cobranças e comparações, no qual a imaginação e o brincar cedem lugar à produtividade e ao consumo. Essa lógica adultocêntrica compromete o desenvolvimento emocional e simbólico das crianças, tornando-as vulneráveis à solidão, à ansiedade e à ausência de vínculos estáveis. A nova orfandade simbólica manifesta-se na fragilidade das relações intergeracionais e na dissolução da autoridade como presença orientadora. Diante desse quadro, o artigo propõe uma reflexão sobre a reconstrução das presenças adultas, compreendidas como gestos éticos de escuta, cuidado e responsabilidade compartilhada. Conclui-se que resgatar a infância implica reencantar o papel do adulto como mediador de sentidos e valores, capaz de sustentar o diálogo entre gerações e promover experiências educativas humanizadoras.
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