QUANDO OS ADULTOS SOMEM: A ADULTIZAÇÃO DA INFÂNCIA E AS NOVAS FORMAS DE ORFANDADE

Autores

  • Débora Viana de Souza Universidade Católica de Brasília, Brasil
  • Edinaldo Enoque da Silva Júnior Rede Pública Estadual de Santa Catarina, Brasil
  • Jenerton Arlan Schütz Must University, Estados Unidos
  • Fábio César Junges Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.46550/cadernosmilovic.v4i2.201

Resumo

O artigo analisa o fenômeno da adultização da infância e a ausência de adultos como referências simbólicas, problematizando os impactos dessas transformações na formação afetiva, cognitiva e ética das novas gerações. Em um contexto marcado pela aceleração do tempo, pela cultura do desempenho e pela influência das mídias digitais, observa-se a antecipação de papéis e responsabilidades que afastam a criança do tempo próprio da infância. A pesquisa, de caráter bibliográfico e abordagem qualitativa, fundamenta-se em autores como Oliveira et al (2020), Ferreira (2021), Castilhos e Leandro (2018) e Lajonquière (2019), que discutem a crise das presenças adultas e a perda da ludicidade como eixos centrais da experiência formativa. O estudo aponta que a infância contemporânea vem sendo convertida em um espaço de cobranças e comparações, no qual a imaginação e o brincar cedem lugar à produtividade e ao consumo. Essa lógica adultocêntrica compromete o desenvolvimento emocional e simbólico das crianças, tornando-as vulneráveis à solidão, à ansiedade e à ausência de vínculos estáveis. A nova orfandade simbólica manifesta-se na fragilidade das relações intergeracionais e na dissolução da autoridade como presença orientadora. Diante desse quadro, o artigo propõe uma reflexão sobre a reconstrução das presenças adultas, compreendidas como gestos éticos de escuta, cuidado e responsabilidade compartilhada. Conclui-se que resgatar a infância implica reencantar o papel do adulto como mediador de sentidos e valores, capaz de sustentar o diálogo entre gerações e promover experiências educativas humanizadoras.

Biografia do Autor

Débora Viana de Souza, Universidade Católica de Brasília, Brasil

Mestranda em Psicologia (UCB/DF). Psicóloga.

Edinaldo Enoque da Silva Júnior, Rede Pública Estadual de Santa Catarina, Brasil

Doutor em Ciências da Educação (Unades). Professor da Rede Pública Estadual de Santa Catarina.

Jenerton Arlan Schütz, Must University, Estados Unidos

Doutor em Educação nas Ciências (Unijuí). Coordenador do Programa de Doutorado em Liderança Educacional na Must University.

Fábio César Junges, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Brasil

Doutor e mestre em Teologia. Graduado em Filosofia e Teologia. Docente da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões e da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Publicado

2026-08-14

Edição

Seção

ARTIGOS